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Javalis de Vila Velha transmitem a Febre Maculosa

O problema se trata de doença fatal a humanos transmitida por carrapatos infectados pela bactéria que causa a moléstia 

Pesquisa realizada pela doutoranda Louise Bach Kmetiuk, do Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Molecular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), aponta que todos os 20 javalis dos quais foram coletadas amostras, no Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, foram diagnosticados como positivos para pelo menos um antígeno de bactérias responsáveis pela Febre Maculosa Brasileira. O problema se trata de doença fatal a humanos transmitida por carrapatos infectados pela bactéria que causa a moléstia. O estudo e seus respectivos apontamentos foram aceitos para publicação da revista científica internacional PLOS Neglected Tropical Diseases.

“Os resultados são impressionantes e colocam em risco controladores e outras pessoas que adentram as matas onde javalis estão em grande número”, diz o professor Alexander Welker Biondo, coordenador da parceria da UFPR com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Parque Estadual de Vila Velha.

Segundo Juarez Barkoski, gestor do Parque, a situação é grave. “Os javalis têm tido um impacto terrível na fauna e flora de Vila Velha e isso tem se agravado nos últimos anos, com a recente retirada da cobertura vegetal em frente aos arenitos, símbolo da nossa unidade de conservação”. Um dos aspectos mais importantes do estudo é o apontamento de que houve perda de habitat de espécies nativas devido a presença de javalis no Parque. Conforme o texto, houve informes de catetos buscando alimento em plantações de cereais no entorno da área de preservação, na chamada zona de amortecimento. Outro dado é que a presença maciça dos estágios de ninfas e adultos do carrapato Amblyomma brasiliense (responsável por disseminar a febre maculosa) indicou ainda a sobreposição de javalis com o que é chamado de nicho ecológico de catetos (Tayassu spp.), que são hospedeiros naturais dessa espécie de carrapatos, o que indica uma alteração importante na dinâmica do ecossistema local.

Os inúmeros problemas gerados pelos javalis no Brasil já têm data para acabar (ou ao menos reduzidos drasticamente), segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama). A entidade, em parceria com os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, elaborou um plano de controle e prevenção da espécie exótica.

“O controle dos animais era muito burocrático. Lançamos recentemente um sistema de controle, que era uma demanda dos manejadores, que irá revolucionar, dando mais agilidade”, ressalta o diretor de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas do Ibama, João Pessoa Riograndense Moreira Júnior. “O javali é uma das 100 piores espécies exóticas do mundo. E o Brasil é propicio para dispersão do animal, pois não tem predador natural, há gama de alimentos disponível, clima ideal, se reproduz numa facilidade enorme. Se não tivéssemos tomado uma medida, a situação estaria bem pior”, acrescenta.

A autorização para o abate é mais ágil e facilitada, inclusive com secretarias estaduais e municipais a frente do manejo e abate. No caso do abate particular, é preciso estar cadastrado junto ao Ibama e fazer o pedido de autorização no sistema. Além, claro, de ter a autorização do dono da propriedade. “Tudo é bem simples, por meio de sistema”, aponta Moreira Júnior. De abril 2019 deste ano até agora, mais de 2,2 mil autorizações para abate já foram emitidas.

A erradicação da espécie é praticamente impossível. Existe apenas um caso no mundo, em uma ilha dos Estados Unidos. Mas o diretor do Ibama garante que é possível controlar em cinco anos, mas por meio de uma ação conjunta.

“Experiências mundiais mostram a necessidade de controle por meio de um esforço coletivo que irá propiciar que o javali atinja um tamanho de população adequado. O Ibama foi sensível a essa questão do setor e as ferramentas estão à disposição”, destaca Moreira Júnior.

Hoje, o javali está presente em 563 municípios brasileiros, sendo 88 no Paraná (174 em São Paulo, 116 no Rio Grande do Sul, 120 em Minas Gerais e 49 em Santa Catarina). Ainda, de acordo com estimativa do Ibama, 28,8 mil animais foram abatidos em 2018 no país, enquanto outros 15,8 mil em 2017. Para isso, 44 mil controladores estão cadastrados no sistema do Ibama.

 

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Ponta Grossa 30/07/2019 ás 14:37h
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