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Peça de Matheus Nachtergaele é atração do 47º Fenata

Espetáculo ‘Processo de Conscerto do Desejo’  será uma das arações da noite de encerramento do festival, dia 27 de outubro

A 47ª edição do Festival Nacional de Teatro (Fenata) da Universidade Estadual de Ponta Grossa traz a peça ‘Processo de Conscerto do Desejo’ para a noite de encerramento. O espetáculo, dirigido e protagonizado pelo ator Matheus Nachtergaele, será a atração da noite de premiação que acontece no domingo (27).

A peça estreou no Festival de Teatro de Ouro Preto e Mariana em 2015 e, de lá para cá, tem emocionado o público por onde passa, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Fortaleza, Brasília, Paraty, Uberlândia, Porto Alegre, Pelotas, Caxias do Sul, entre outras. Em ‘Processo de Conscerto do Desejo’, o ator encena uma homenagem poética à mãe Maria Cecília Nachtergaele. No palco, o ator é acompanhado pelos músicos Luã Belik, ao violão, e Rafael Belo, no violino. O repertório musical dá o tom do espetáculo, que já circulou pelos mais importantes festivais de cultura do Brasil.

A montagem “é um recital à moda grega, é um lamento, mas é iluminado”, explica o ator, diretor e filho da poeta, que se matou aos 22 anos. À época, Matheus tinha três meses de vida. Matheus lembra que demorou para decidir o que fazer com o caderno de poesias da mãe que recebeu de presente do pai aos 16 anos. “Era uma espécie de vespeiro emocional e esperei até sentir que não era mais tão perigoso, que as picadas haviam se cicatrizado”, diz.

“Está ali o ator, o filho. Ele recita poesias da mãe suicida neste concerto. Isso é muito forte e muito sincero. Eu tinha receio que essa história só dissesse respeito a mim, entretanto as pessoas acabam se conectando com o sentido do viver”, relata o ator. “O teatro é lugar da cerimônia, é o meu lugar. Fiz o meu festejo fúnebre e a minha celebração como num ritual japonês colorido”, diz Matheus.

Poucas palavras se confundem tanto em nossa língua quanto ‘concerto’ e ‘conserto’. Aqui, elas se mesclam vertiginosamente. A palavra desejo, em filosofia, seria a tensão em direção a um fim de onde se espera satisfação. Tradicionalmente o desejo pressupõe carência, ou alguma forma de indigência: Um ser que não carecesse de nada, não desejaria nada. Seria um ser perfeito, um Deus. Por isso a filosofia, tantas vezes, considera o desejo como característica primeira do ser imperfeito, do ser finito. Quero consertar meu desejo com poesia, num concerto. Explico: minha mãe, a poeta Maria Cecília Nachtergaele, faleceu quando eu era um bebê de três meses. Dela, me restaram seus poemas, lindos e maduros, escritos de uma jovem mulher moderna e triste, e essa veia que me marca a testa quando rio ou choro muito. Em Processo de Conscerto do Desejo, acompanhado pelo jovem violonista Luã Belik e do violinista Henrique Rohrmann , direi finalmente os poemas que guardei nos olhos e na alma como única herança dela. O espetáculo é simples assim: Um homem (que por acaso é um ator) diz no palco as palavras escritas por sua mãe. Um violão (não por acaso, pois Maria Cecília amava os violões) o acompanha. É só isso, se isso for pouco.

Programação do Festival

De 22 a 27 de outubro, o Festival levará 99 espetáculos a diferentes espaços da cidade. “Ruas, praças, teatros e escolas serão palco para seis Mostras que integram o Festival. Os espetáculos foram escolhidos entre 159 companhias de 13 estados brasileiros. A categoria Telmo Faria reúne quatro peças. A Mostra Adulto tem seis, contando com as peças de abertura e encerramento. A Mostra Campos Gerais, Teatro de Rua e Mostra Infantil exibem três espetáculos cada. A programação completa está disponível no site do festival.

Informações UEPG

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