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Sant’Ana: dois povos e uma devoção

Coluna 'Trilha da Fé: Sant’Ana, dois povos e uma devoção

Veneração à santa une Castro e Ponta Grossa

“Ana viveu no século I a.C no interior da Palestina. Nasceu em Belém de Judá, morou em Nazaré (Baixa Galiléia) e morreu na Palestina. Todavia, seu corpo foi transladado em 710 para Constantinopla. Seu nome significa, em hebraico, ‘graciosa’, querendo dizer ‘graça’, ‘misericórdia’. Foi a terceira filha de Mathan e de Maria. Desposou Joaquim, também da tribo de Davi, pois, de acordo com sua tradição, os descendentes dessa tribo não faziam questão em dar suas filhas em casamento a homens de outras tribos casando-se entre seus membros.

A devoção para com a pessoa de ‘Ana’ iniciou no oriente chegando posteriormente ao ocidente, sendo que em 550 o Imperador Justiniano I (5227- 565) mandou construir-lhe uma igreja que é considerada o seu primeiro templo oficial.  No Ocidente, os apontamentos contidos na historiografia cristã que relatam a devoção a Sant’Ana são encontrados em Roma a partir do oitavo século e fazem parte do Pontificado de Constantino (708-715). A partir de 1.100, se encontram anotações da celebração de festas em seu louvor na cidade de Nápolis e depois em Cantrgury (Inglaterra).

A fixação no calendário festivo católico da missa oficial, juntamente com a festa litúrgica, remonta ao ano de 1584, quando o Papa Gregório XIII (1572-1585) ordenou que toda a Igreja a celebrasse”. Os trechos pertencem ao trabalho da professora doutora Maura Regina Petruski, da Universidade Estadual de Ponta Grossa1, publicado em 2014, onde ela revela a dinâmica da festa religiosa e o envolvimento da população. Riquíssimo, o artigo detalha o início da devoção a Sant’Ana, os dias de festejo, que aconteciam em torno dos oratórios domésticos, e, cita os festeiros e o empenho na organização das atividades. Havia número certo de festeiros que patrocinavam a festa financeiramente e noveneiros que contribuíram com uma quantia menor. Ao final da festa, eram sorteados os que ‘trabalhariam’ no ano seguinte2    

Em Castro, a festa da padroeira da cidade e da matriz da paróquia mais antiga da Diocese completa 98 anos em 2021. Uma devoção que começou muito antes. Por volta de 1770, quando os primeiros donos de terras acreditavam que “quem festejasse Sant’Ana não teria detrimento em seus créditos nem falência nos seus bens de fortuna”3 Veneração que se estendeu ao então bairro de Ponta Grossa e modelou a sua formação. Raiz na qual o município cresceu a ponto de abrigar, hoje, a igreja-mãe do município. Chamada de ‘oásis de fé’, sua capelinha no ‘Pouso do Iapó’ (Castro) era considerada local seguro para pernoite das tropas, que vinham até ali rezar e pedir proteção para a viagem. Que assim seja!

Sant’Ana, protetora dos avós, rogai por nós! Sant’Ana, invocada pelas mulheres que não conseguem engravidar, rogai por nós! Sant’Ana, patrona dos viajantes, rogais por nós! Sant’Ana, defensora dos educadores, rogai por nós!

 

FONTES BIBLIOGRÁFICAS

- 1 A Festa de Sant’Ana na cidade de Ponta Grossa, Maura Regina Petruski, Ateliê Geográfico - Goiânia-GO, v. 8, n. 1, p.252-266, abr/2014

- 2 Judith Carneiro de Mello, Léa Cardoso Villela, Amélia Podolan in História da Igreja Matriz Sant’Ana em Quadrinhos. João Maria Ferraz Diniz, Leila Maria Cardoso Villela. Castro, 2009.

- 3 História da Igreja Matriz Sant’Ana em Quadrinhos. João Maria Ferraz Diniz, Leila Maria Cardoso Villela. Castro, 2009.

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