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Estiagem pode comprometer a safra de inverno na região

Algumas regiões do Paraná já sofrem com a seca. Nos Campos Gerais, o plantio começa  a atrasar 


A forte estiagem registrada no Estado do Paraná pode trazer prejuízos a produtores rurais e comprometer a safra de inverno deste ano. Um estudo detalhado sobre o que ocorre neste ano em relação às chuvas aumenta a preocupação dos produtores, e mostra que esta é a seca mais prolongada no Paraná desde que o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) começou a monitorar as condições do tempo, em 1997. As regiões mais afetadas são o norte e o oeste. Nos Campos Gerais, a situação ainda não preocupa, mas se faltar chuva nas próximas semanas, há o risco de grandes prejuízos ao setor.

“O impacto que esta estiagem vem provocando nos últimos dias é na semeadura dos cereais de inverno. Alguns produtores realizaram o plantio no pó, com a expectativa de que iria chover na sequência, e outros estão aguardando um volume de chuva considerável para poder realizar o plantio”, disse Dirlei Antonio Manfio, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, autor do estudo.

Nos Campos Gerais, o economista do núcleo regional do Deral, Luiz Alberto Vantroba, aponta que o plantio já deveria ter sido iniciado e estar avançando em alguns municípios, com cerca de 10% de todo o trigo plantado, o que representaria cerca de 12 mil hectares. Contudo, o que se vê hoje é cerca de 1% semeado. “Nesta semana choveu entre 16 e 18 milímetros em algumas regiões, então os produtores aproveitaram para escalonar o plantio. São áreas nos municípios mais ao norte da regional, como Piraí do Sul, Tibagi, Ventania, Reserva”, explica Vantroba, explicando que alguns produtores utilizaram a artimanha de semear de forma mais rasa, para pegar a umidade. 

O Calendário de plantio de trigo na região é mais tardio do que em outras regiões. No Oeste, por exemplo, em Cascavel, 129 mil hectares de trigo já foram plantados, o que representa 72% do total previsto. Em Cornélio Procópio 80% já foi plantado e em Londrina essa conta já chegou a 100%. Nesses locais a situação é mais crítica. Nos Campos Gerais esse calendário inicia em 10 de maio e segue até o final de junho. 

Porém, a falta de chuva é preocupante no sentido de que muitos produtores fazem o escalonamento do plantio entre o início da janela de plantio, o meio e o fim, de modo a evitar grandes perdas em caso de alguma situação extrema. “O risco é menor do que concentrar todo o plantio. Além disso é importante dar esse intervalo para facilitar o controle e o manejo, como por exemplo em algumas áreas concentrar a evitar as ervas daninhas, e em outros outras pragas”, esclarece. Caso não chova nos próximos dias, há a possibilidade de uma redução na área plantada, especialmente por quem ainda não comprou as sementes ou insumos.


Chuva é escassa em maio

O Simepar possui 54 estações digitais no Paraná, com atualização a cada 15 minutos, enquanto o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) tem outras 27 estações, atualizadas a cada hora. São elas que mostram que a redução no volume de chuvas acentuou-se nos últimos meses. As projeções são de dificuldades na semeadura de inverno e na cadeia da pecuária. As maiores dificuldades começaram a ser observadas em março e se estenderam para abril. À falta de chuva somaram-se as temperaturas acima da média. O estudo de Manfio foi desenvolvido até 15 de maio. “Na primeira quinzena o volume de chuva foi praticamente inexistente em todas as regiões” disse.

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