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Coluna 'Na Trilha da Fé: A Paróquia mais antiga da região

Leia a terceira edição da coluna realizada pela parceria Portal aRede, Jornal da Manhã e Diocese de Ponta Grossa

“É um dos templos maiores, melhor acabado que possui a Província. Tem as proporções, os áditos idênticos aos da Catedral de São Paulo na qual foi modelada e uma vistosa torre. Sendo sua nave e as faldas interiores do seu imenso zimbório enriquecido de belíssimas entalhações douradas e sua capela mor dotada de uma rica arquibancada e suas paredes laterais construídas de taipa. Possui riquíssima alfaias e excelentes paramentos, sobressaindo entre eles o que foi oferecido por sua majestade a imperatriz, quando estivera em visita”. O texto contido na Revista do Paraná, de 1887, descreve a igreja Sant’Ana, de Castro, a paróquia mais antiga da Diocese de Ponta Grossa.

Fundada em 19 março de 1774, sua história é ainda mais antiga e mais rica. Está estritamente ligada ao povoamento da região e a consolidação da colonização portuguesa, tanto no que diz respeito às populações indígenas, quanto a ameaça dos espanhóis, em 1763. Foi o adentrar das tropas espanholas no Sul de Santa Catarina que motivou a criação das Companhias de Cavalaria do Pouso do Iapó, que veio estimular o povoamento iniciado lá em 1704, com a distribuição de grandes lotes de terra, as sesmarias. E tudo começou com o erigir de uma cruz e de uma capela em honra a Sant’Ana, santa de devoção da família de Inácio de Almeida Taques, que a tinha como protetora de bens e fortunas.

A forte religiosidade dos sesmeiros trouxe para os Campos Gerais os carmelitas, os jesuítas e os franciscanos. Os freis fundaram e cuidaram de capelas, como a Santa Bárbara do Pitangui e a Sant’Ana, construída às margens do Rio Iapó. Nesta época, devido ao perigo espanhol, o governo, inclusive, distribuía verbas para a construção de igrejas. Em 26 de julho de1769 foi rezada a primeira missa na Capela Sant’Ana, em latim, e ainda sem paramentos, livros e pároco. O primeiro pároco só foi chegar em 1771. Era o frei José de Santa Tereza de Jesus, da Ordem de São Francisco.

Para chegar à suntuosidade descrita pela imprensa em 1887, a atual matriz Sant’Ana passou por inúmeras reformas, fruto da mobilização do povo de Deus. Uma dessas grandes obras obrigou, em 1829, a transferência da imagem da padroeira, dos santos e dos ofícios para a Capela do Rosário, devido ao estado precário da igreja. Os projetos foram sempre ousados para a época e suas implementações envolveram políticos, o clero e o Estado. O próprio imperador Dom Pedro II doou, em 1880, cinco lustres de cristal e o sino de bronze que ornamentam a igreja até hoje.


Fontes bibliográficas:

- História da Igreja Matriz Sant’Ana em Quadrinhos. João Maria Ferraz Diniz, Leila Maria Cardoso Villela. Castro, 2009.

Glossário:

Ádito: lugar por onde se pode entrar; entrada

Alfaias: adorno, enfeite

Falda: parte lateral

Zimbório: remate exterior da cúpula das grandes igrejas e edifícios

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