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Animação da 'Ópera João e Maria' é exibida no Paraná

Stop-motion inédito no Brasil recria o clássico 'João e Maria' com a técnica da animação gráfica. O filme fará temporada digital direcionada a cidades do Paraná em março

Uma das histórias mais emblemáticas para as crianças de qualquer parte do mundo é o clássico 'João e Maria'. A lenda, que data da Idade Média, foi reunida em um livro pelos irmãos Grimm, no século XIX, e vem encantando os pequeninos há mais de dois séculos. 

Agora, em uma iniciativa inédita no Brasil, o clássico foi transformado em uma animação em stop-motion. 

O filme estará disponível entre 14 e 30 de março em temporadas digitais para as cidades de Maringá, Ponta Grossa, Pato Branco, Toledo e Foz do Iguaçu, no canal oficial da Ditirambo Eventos Culturais no Youtube (https://youtu.be/LDw0BqhYPVc).

O projeto é uma produção da Ditirambo Eventos Culturais, viabilizado pelo Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura do Paraná (Profice). O apoio é das empresas Copel, Havan e Nutrimental.

A criação do stop-motion começou em 2020, quando Salete Cercal, proprietária da Ditirambo e coordenadora do projeto, decidiu adaptar a ópera 'João e Maria' para o formato audiovisual. A difícil tarefa ficou a cargo da Sync Imagens, por meio do documentarista e fotógrafo Edemar Miqueta e do fotógrafo Evandro Martin que, além da direção de fotografia, também produziu os bonecos e a cenografia. A esposa e a filha de Miqueta também ajudaram na produção dos objetos de cena e figurinos.  

A criação do stop- motion teve como base a ópera 'João e Maria' desenvolvida pela cantora lírica e educadora musical Dra. Lúcia Vasconcelos Jatahy. O espetáculo, que reúne uma grande equipe de profissionais das artes cênicas, entre atores, cantores, bailarinos, músicos, e técnicos, estreou em 2013 e já foi assistido por mais de 10 mil espectadores.

Antes da animação começar, um divertido prólogo com duas simpáticas bruxinhas que gostam muito de cantar faz uma introdução ao mundo da ópera. As cenas em Live Action explicam e preparam a plateia para este universo cênico musical. “Além de muito bonita visualmente, a produção ajuda a aproximar a plateia ao mesmo tempo que desmistifica uma certa aura de difícil que existe em torno da ópera”, pontua Salete, lembrando que a obra toda é cantada em português e legendada.

Das florestas da Alemanha para o sertão do Brasil —  Na versão original, que se chama “Hänsel und Gretel”, a história se passa em uma floresta alemã. Já na adaptação, tanto na ópera quanto no stop-motion, o enredo se desenvolve no sertão brasileiro, quando uma família muito pobre enfrenta as dificuldades impostas pela fome.

Durante a fase de adaptação do stop-motion, essa mudança para um novo ambiente aconteceu de maneira natural. “O cinema de animação sempre esteve presente em minha vida, é uma verdadeira paixão. Foram muitos anos de estudos e pequenas produções entre curtas-metragens e Super 8. Vivi durante três anos no Nordeste e, em 2018, participei de um projeto no qual percorri 30 mil quilômetros pelos quatro cantos do Maranhão. Assim, não houve dificuldades, pois a temática era muito conhecida por todos nós”, explica Miqueta.

A técnica — Basicamente, o stop-motion é criado utilizando um processo que capta o movimento dos personagens, foto a foto. Nessa técnica, cada segundo de gravação precisa de 24 fotografias, o que dá uma boa ideia da complexidade do trabalho. Todo o processo de criação dos personagens, cenários e animação/fotografias foi realizado na casa/estúdio de Miqueta, em Curitiba, e a finalização aconteceu em Portugal.

As etapas foram muito trabalhosas, pois exigiram um nível enorme de detalhes. Só o processo de animação durou quatro meses, com a equipe trabalhando diariamente por um período de até 16 horas. Ao todo, o filme consumiu oito meses de produção, nos quais foram utilizadas mais de 75 mil fotografias que, colocadas em sequência, criaram e deram vida aos personagens.

Um dos maiores desafios do processo foi o “lip sync”, ou sincronismo labial, que nada mais é do que “fazer com que os personagens falem”. Nessa busca pela perfeição, a equipe testou vários materiais, de tintas a corantes, para que os personagens fossem construídos de maneira satisfatória. “Adaptar o ‘João e Maria’ para o cinema de animação foi uma experiência que marcou profundamente a minha vida e a minha carreira. Os medos, os desafios e, por fim, ver aqueles bonecos ganhando vida, expressões e sentimentos, foi algo inesquecível”, diz Miqueta.

A iniciativa foi tão bem sucedida que, posteriormente, os organizadores já pensam em trabalhar na animação de outras obras destinadas ao público infantil. “Nós pretendemos manter a visibilidade da produção artística paranaense. Buscamos ter uma posição de grandes criadores de sonhos, entretenimento, arte e cultura”, afirma Salete Cercal.

Com informações: Assessoria de Imprensa.

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