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Crônicas dos Campos Gerais: UEPG 50 anos

Crônicas dos Campos Gerais: UEPG 50 anos


Já não me recordo há quanto tempo e ainda menina ouvia de forma reiterada: “espere até você ir para a Universidade”. Naquele tempo ficava a imaginar o que é uma Universidade e por que os adultos se referiam a ela como algo sublime, capaz de alterar tanto a realidade alheia. Como ocorre com muitos outros adolescentes, o tempo foi passando e chegou o grande momento de decidir os rumos de minha trajetória. Não sei exatamente a razão, mas na época optei pelo curso de Direito.

Ao colocar meus pés naquela instituição já na qualidade de “caloura”, comecei a perceber a grandeza do universo que ali se apresentava. Na primeira semana do curso adentrou a sala de aula como professora de Sociologia Jurídica a minha própria mãe e, naquele momento, comecei a perceber que grande parte dos membros de minha família, assim como de muitas outras de nossa cidade, tem as suas vidas acadêmicas e profissionais atreladas a essa instituição.

Repentinamente passei a me interessar pela grandeza da diversidade que ali se observava através da infinidade de protagonistas que se apresentam naquele mesmo cenário portando ideias e ideais muitas vezes distintos uns dos outros. Percebi o valor inestimável da nossa UEPG quando compreendi que a maior parte da população ponta-grossense e dos Campos Gerais está de certo modo vinculada a ela. Pude perceber que a maior riqueza que lá se encontra traduz-se na excentricidade do material humano encontrado diariamente nos passos dados por aqueles que caminham orgulhosos pelos seus corredores.

Os mais antigos nas cadeiras descreveram-me uma universidade pretérita, cuja história oficialmente começou no ano de 1969 pelas mãos do então governador do Paraná Paulo Pimentel, e que iniciou suas atividades em 1971, sob o comando do primeiro Magnífico Reitor, Álvaro Augusto Cunha Rocha.

Também me contaram inúmeras histórias que foram vividas naquele cenário, como namoros que evoluíram ao matrimônio, pessoas que ali se conheceram e que passaram a se admirar mutuamente e diversas amizades que ali foram embrionadas. Descreveram-me com infindável riqueza de detalhes uma UEPG, palco de motivação para muitos mestres, doutores e mentes brilhantes que um dia foram o motivo da real inspiração e fator determinante nas escolhas de vida de alguns.

Hoje, também como membro da casa, assim como foram meus pais e irmãos, percebo que são cinquenta anos de história e de diversas “estórias” maravilhosas que inspiram e que também fomentam a economia de nossa cidade.


Texto de autoria de Sílvia Maria Derbli Schafranski, advogada, Ponta Grossa, escrito no âmbito do projeto Crônicas dos Campos Gerais da Academia de Letras dos Campos Gerais (https://cronicascamposgerais.blogspot.com/).

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